sábado, 29 de novembro de 2008

Carta às pessoas que amo

Não é uma boa hora prá falar contigo, mas tu é a única que daria atenção as palavras.

Me sinto inacessível pelas pessoas que gosto. Sabe? Numa ilha e to cansado e mandar garrafas. É um saco ter que pôr prá fora as coisas, tudo fica em tom de exagero. Mas bem, três anos que coisas simples me atacam, há três anos que eu abraço essas coisas simples com força.
Sabe, "força e calma" marcam esses anos, é uma parte de uma música que se eu ouvir esmorono, caio prá dentro. Bem fundo.


No fundo:

No canto esquerdo há três flores - nasce uma por ano. Estão em vasos simples de barro fosco, não são lírios, são rosas roxas. Roxas por que são anos que ninguém que eu conheço encarou.
Ninguém vê uma rosa roxa em qualquer floricultura, plantada em qualquer pessoa. O fundo tem
teto, é um desfarce pr'eu pensar que estou por cima, saca? A lâmpada não é economica , a luz
é amarelada e o lustre feito de pano.
Sempre imaginei que todo fundo tivesse um banheiro. Dito e feito, o meu tem um, nem grande, nem pequeno. Preferi não ter o hábito de manter utensílios como pasta de dentes, banheira,
fios visiveis ou nada cortante por perto. É um bom hábito. Só coisas básicas no banheiro;
pia, vaso, chuveiro e espelho. Um espelho é um bom modo de saber que a gente ainda está por
aqui, mesmo que por muitas vezes demore prá acreditar.
Nas paredes não há os rabiscos de um preso, não estou preso, se quiser eu posso fingir que
está tudo bem e sair daqui.
Bem, não sou assim.
No fundo as coisas simples ficam visiveis, como camisetas dependuradas no varal em frente de
um céu azul forte. Todas minhas fotos, todos meus objetos tem um por que, não por desejo de
organizar as coisas, mas por que por algum tempo pude me entreter escolhendo sentidos à
elas. O que sobra é a figura de mim no espelho, e são várias (parte de uma música minha).
Por mais que as coisas que eu faço pareção não ter sentido, tem.
Mas veja bem! No fundo há um violão folk e fosco, vou ali.



Amor, ódio, paixão, medo, alegria, constrangimento e vontade
Ivan S. Netto


Carta para amigos e namorada - que é uma grande amiga.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Heróis não identificados




Quantos buracos irão tampar com nossa carne?



Paz,
Ivan S. Netto

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Mas eu vejo na loja de doces...

Notícia


Não sei, eu sei.
Algo me pega pelas pernas,
Mas não prende, beija...
Algo me diz que há sempre uma porta,
Uma porta aberta...
Algo me diz que sempre,
Sempre ou nunca consegue-se o que quer,
A diferença entre eles é o Tentar.

Algo me aperta,
Pois me abraça...
Algo mira,
E mata o que há de ruim...
Algo é tão bom,
Que infla os amores...
E cobre dores com momentos bons.

Algo! Alguma coisa por aí!
Alguém que sei quem,
Algum lugar,
Algum jornal,
Alguma banca de jornal
Venderá esta notícia?


Amor, muito amor,
Ivan S. Netto

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sons e eu

Sabe, me parece que os sons estão entrando em mim, na minha cabeça. Quem sabe seja algum tipo de dor de cabeça, quem sabe? Alguém aí? Pode ser mais um daqueles estranhos dias, provavelmente é.
Um SI(B) me encomoda, por mais que esteja afinado, não não, ainda não está. Tenho que afinar as coisas, quem sabe afinar-me um poucos às coisas? É, talvez, mas hoje, não estou afim. Assim pareço rude. Simplesmente gosto d'eu assim, assim...
Posso comentar sobre ela. Ela quem? Ela quando? Ela em mim.
Não digo só ela, o que não é pouco, mas coloquemos tudo no feminino e diguemos: ELA!

Hoje isso.
E claro, muito mais.



Amor, sei,
Ivan S. Netto.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O inverso de versos para Bob Dylan

É uma forte chuva que vai cair
É uma forte, é uma forte
E é uma forte, dessas fortes...

Ouvi o som de um palhaço que chorava no beco
Ouvi a canção de um poeta que morreu na sarjeta...

Ouvi muitos rindo.

Ouvi uma pessoa morrer de fome
Ouvi dez mil sussurrando
Ninguém estava ouvindo, cujas mãos estavam em brasa...

Ouvi mil bateristas
Que poderia afogar o mundo inteiro,
Ouvi o ronco de uma onda
E seu estrondo era um aviso:
Eu ouvi o som do trovão.

E o que foi que você ouviu meu jovem querido?
E o que foi que você ouviu meu filho de olhos azuis?


De um amigo,
Ivan S. Netto

sábado, 19 de julho de 2008

Guardei

Existem muitas faces de uma pessoa que a gente não vê todo dia, às vezes, nunca vê. É essa face que eu escondo, mas é por essa que, eu sinto, tenho medo; é por essa face que eu enxergo. Eu tento. Dói.

Por essa face eu sei que as pessoas não são tão fortes assim; com quantas palavras alguém vai a baixo? Talvez uma... nenhuma? Já basta, digo, nenhuma é muito, nenhuma é alto. Nenhuma dói noutra pessoa como dói em ti.

Com essa face eu só quero dizer, não a primeira, mas a segunda coisa que penso. A terceira é ouro, meu ouro falso, escuro, nojento, tosco, mas disseram que brilhava. Guardei. Ouro em face, ouro que não se diz por aí.

Por que me olhas assim? É tão estranho não me conhecer? Eu sei como é.



Amor,
Ivan S. Netto

terça-feira, 10 de junho de 2008

E ela falou:
Estou disponível,
Como uma puta em palavras elegantes.



Com pena,
Ivan S. Netto